Vista aérea de Cacha-Pregos, com praia, píer, casas, embarcações e manguezais
Extremo sul da Ilha de Itaparica

Cacha-Pregos

Onde o rio encontra o mar, os barcos encontram o vento e a memória da pesca continua navegando entre gerações.

Mar e rio Águas que moldam a paisagem
Pesca artesanal Saberes transmitidos em família
Manguezais Berçários naturais da vida costeira
Um distrito feito de água e movimento

O fim da estrada pode ser o começo de muitas descobertas

Cacha-Pregos está no extremo sul da Ilha de Itaparica e integra o município de Vera Cruz. Sua paisagem reúne praia, rios, canais, manguezais, barcos de pesca, casas, comércio e áreas de convivência.

A comunidade cresceu olhando para as águas. O mar não aparece apenas como cenário: ele é caminho, trabalho, alimento, fé, encontro e memória.

01
Vila pesqueira Redes, canoas, barcos e conhecimento das marés.
02
Natureza costeira Manguezais, bancos de areia, canais e praias.
03
Cultura comunitária Festas, saveiros, capoeira, culinária e oralidade.
Praça e orla de Cacha-Pregos, com bancos, coqueiros e calçamento
Orla e convivência A praça aproxima moradores, visitantes, praia e comércio local. Fonte: Jornal da Mídia, 2023.
Observe

A maré transforma o mapa

Bancos de areia, canais e margens mudam de aparência ao longo do dia.

Escute

O porto conta histórias

Barcos, redes e conversas preservam conhecimentos que não cabem em manuais.

Respeite

O mangue é território de vida

Visitar também significa cuidar das áreas de pesca, trabalho e reprodução das espécies.

Um nome que desperta curiosidade

Por que Cacha-Pregos?

A explicação mais documentada relaciona o nome às formas da paisagem e a um peixe que teria sido comum na região.

Hipótese histórica mais documentada

Caixa + peixe-prego

Segundo a pesquisa reunida para esta página, existiam poças naturais que, vistas de cima, lembravam pequenas caixas. Na maré baixa, peixes conhecidos como peixes-prego ficavam presos nessas formações.

Com o uso popular, expressões como “caixa dos peixes-prego” teriam se transformado até chegar ao nome Cacha-Pregos.

Caixas naturais + Peixes-prego → Cacha-Pregos
Explicação popular

“Lá na caixa-prego”

Na Bahia, a expressão “caixa-prego” também é usada para falar de um lugar muito distante. Como a comunidade fica no fim da estrada da ilha, muita gente passou a relacionar a frase ao seu nome.

Essa associação é popular, mas não possui a mesma sustentação histórica da explicação ligada ao peixe-prego.

Trabalho, família e pertencimento

A vila de pescadores

A pesca é uma das bases históricas de Cacha-Pregos. Homens e mulheres participam da atividade pesqueira, e o conhecimento dos ventos, das marés e das espécies continua sendo transmitido no trabalho cotidiano.

Próximo ao porto, pescadoras e pescadores preparam redes, organizam embarcações, conversam e compartilham experiências. As mulheres da comunidade não atuam apenas na mariscagem: elas também pescam e participam de diferentes atividades ligadas às águas. Canoas e barcos coloridos formam uma paisagem que também é espaço de produção.

01
Conhecimento das marés O tempo da pesca depende da leitura das águas, dos ventos e das estações.
02
Trabalho familiar Muitos saberes são aprendidos entre pais, mães, avós, filhos e vizinhos.
03
Porto como espaço social Além do desembarque, o porto é lugar de conversa, reparo, circulação e memória.
Madeira, motor, memória e trabalho

Os estaleiros: um ofício que continua vivo

Em Cacha-Pregos, a relação com as embarcações não termina quando os barcos chegam ao cais. A comunidade ainda preserva conhecimentos ligados à construção, manutenção e recuperação de embarcações.

5 estaleiros ainda
em atividade
Saberes preservados

Conhecimento passado entre gerações

Atualmente, cinco estaleiros permanecem em atividade, mantendo conhecimentos transmitidos entre gerações. Madeira, ferramentas, motores, experiência e conhecimento das águas fazem parte de um ofício construído no cotidiano.

Nos estaleiros, cada embarcação exige cuidado e conhecimento. São barcos utilizados para a pesca, para o transporte e para outras atividades desenvolvidas nas águas da região. O trabalho envolve reparos na estrutura, manutenção de peças e motores e diferentes técnicas aprendidas pela experiência.

Mais do que locais de trabalho, os estaleiros fazem parte da paisagem cultural de Cacha-Pregos. Eles ajudam a contar uma história em que o mar não é apenas paisagem: é caminho, sustento, conhecimento e identidade.

Galeria da comunidade

Entre estaleiros, cais e águas

Fotografias registram parte do cotidiano de Cacha-Pregos: embarcações em manutenção, o trabalho nos estaleiros, o movimento no cais e as águas usadas para pesca, circulação e lazer.

Fotografias fornecidas para o projeto educativo Conecta Vera Cruz.

Uma comunidade que vive junto às águas

Trabalho, lazer e convivência ocupam a mesma paisagem

A orla, os cais, os rios e os canais também são espaços de convivência. Moradores aproveitam suas águas para o lazer, os passeios de barco, a pesca e outras atividades do cotidiano.

Em diferentes trechos da orla aparecem ofícios e saberes ligados às águas. É comum encontrar pescadoras e pescadores preparando embarcações, marisqueiras acompanhando o ritmo das marés, trabalhadores cuidando dos barcos e moradores utilizando o cais como lugar de encontro.

01 Pesca

Homens e mulheres conhecem marés, ventos, espécies e pontos de pesca.

02 Mariscagem

O mangue e a maré também guardam conhecimentos construídos pela experiência.

03 Estaleiros

Madeira, motores, ferramentas e técnicas mantêm embarcações em movimento.

04 Convivência

Cais, orla e águas também são lugares de lazer, encontros e circulação.

Quem pesca conhece a maré. Quem marisca conhece o mangue. Quem trabalha no estaleiro conhece a embarcação. E a comunidade conhece suas águas.

São conhecimentos diferentes que, juntos, ajudam a preservar um modo de viver construído há gerações.
Duas águas, muitas paisagens

O encontro entre rio, mar e manguezal

Canais, bancos de areia e vegetação costeira formam uma paisagem que muda com a maré e sustenta parte importante da vida local.

01

Água escura nem sempre significa sujeira

Em alguns pontos, a água pode ganhar tons mais escuros devido à mistura com águas fluviais e matéria orgânica do manguezal. Essa coloração pode ser uma característica natural dos estuários.

Mangue Abrigo e reprodução de peixes, siris, caranguejos, ostras e outras espécies.
Bancos de areia Formações visíveis principalmente durante períodos de maré mais baixa.
Canais Caminhos de água usados por embarcações e influenciados pela maré.
Proteção costeira A vegetação ajuda a reduzir erosões e mantém o equilíbrio das margens.
Praia de Cacha-Pregos

Calma aparente, maré em movimento

A praia reúne trechos de águas tranquilas, áreas arborizadas, embarcações e proximidade com canais. Correntes e condições de maré podem variar, por isso a observação local é indispensável.

A orla também é espaço de moradia, comércio e trabalho. Uma visita responsável respeita acessos comunitários, evita resíduos e reconhece a importância das áreas de pesca.

Praia Manguezal Barcos Recôncavo
Velas que conectam margens

Saveiros, regatas e caminhos pelo Recôncavo

Antes de muitas estradas e motores, os saveiros foram fundamentais para transportar pessoas, mercadorias e histórias pela Baía de Todos-os-Santos.

VENTO
E MARÉ

A embarcação também é patrimônio

As regatas transformam a navegação tradicional em celebração. Velas, madeira, técnica e trabalho coletivo revelam conhecimentos construídos por gerações de mestres, pescadores e tripulantes.

As travessias ajudam a conectar Cacha-Pregos a Jaguaripe e a outras localidades do Recôncavo. O mar funciona como estrada e ponte entre comunidades.

O fim da estrada terrestre se transforma em ponto de partida pelas águas.
Revista Vera Cruz · 37 anos · página 23

Uma aventura em Cacha-Pregos

Em um relato de memória, Gil Ruy Lemos Couto recorda uma viagem a Cacha-Pregos no fim dos anos 1960. O texto mistura estrada, maré, pesca, hospitalidade e a chegada de um Jeep que chamou a atenção da comunidade.

Esta seção reconstitui o conteúdo da matéria em linguagem atual. Ela não reproduz a página escaneada e trata o artigo como registro pessoal de uma época, preservando a diferença entre lembrança, tradição e fato documental.

Retrato de Gil Ruy Lemos Couto publicado na revista Vera Cruz 37 anos
Autor do relato Gil Ruy Lemos Couto Retrato publicado na matéria “Uma aventura em Cacha Pregos”.
1967–1968

Quando um Jeep virou novidade no fim da ilha

O autor conta que Alfredo Ruas decidiu levar para a Ilha de Itaparica um Jeep Willys de 1957. Naquele período, segundo sua lembrança, não havia ferry-boat e o veículo precisou ser embarcado em um navio da Companhia de Navegação Baiana, o Mascote, para chegar a Itaparica.

A viagem continuou por terra, passando por Mar Grande, Ilhota, Barra do Gil e outros trechos do caminho. Em Berlingue, o grupo teria dependido da maré para atravessar o rio. Quando finalmente chegou a Cacha-Pregos, o Jeep virou atração: moradores saíram de casa para observar aquele veículo pouco comum na paisagem local daquele tempo.

Salvador → Itaparica → Mar Grande → Ilhota / Barra do Gil → Berlingue → Cacha-Pregos
01 Hospedagem improvisada

A “geladeira” dos pescadores

O relato diz que não havia hotel, pensão ou pousada disponível. Por amizade com pescadores locais, o grupo foi convidado a dormir em uma barraca de palha na praia, chamada de “geladeira”, onde o pescado era mantido em grandes caixas com gelo até seguir para Salvador.

02 Sabores e convivência

Café, frutos do mar e noites de conversa

Cuscuz, mingau, beijus, ovos, aipim e alimentos vindos do mar aparecem entre as lembranças. À noite, o autor recorda encontros com veranistas, violão e conversas. A padaria também entrou para a memória da viagem pelo pão servido quente.

03 Além do passeio

O Jeep acabou servindo à comunidade

A novidade não ficou restrita às férias. Segundo a matéria, o veículo passou a ser solicitado em situações urgentes, incluindo transporte funerário e apoio a deslocamentos policiais. O Jeep ganhou, assim, uma função prática em um lugar onde o acesso rodoviário ainda era difícil.

O que esse relato preserva

Uma Cacha-Pregos lembrada por estradas difíceis, marés e hospitalidade

Mais do que narrar uma viagem, o artigo registra um modo de chegar e permanecer na comunidade antes da infraestrutura atual: viagens dependentes de embarcações, caminhos de areia, travessias condicionadas pela maré, forte circulação do pescado e relações de amizade que resolviam hospedagem, alimentação e transporte.

Cultura que ocupa ruas, mar e memória

Festas, fé e saberes comunitários

As tradições de Cacha-Pregos mostram que a identidade local se constrói no encontro entre religiosidade, trabalho, música, comida e participação coletiva.

02 Mar, trabalho e devoção

São Pedro dos pescadores

A procissão de São Pedro, tradicionalmente celebrada em 29 de junho, reúne pescadores, roupas de trabalho, embarcações e símbolos da vida no mar.

03 Religiosidade e festa popular

Lavagem de Cacha-Pregos

Cortejos, música, água de cheiro e manifestações católicas e afro-brasileiras ocupam as ruas e reforçam vínculos entre famílias.

04 Cultura afro-brasileira

Capoeira Angola

A comunidade abriga a sede do grupo Semente do Jogo de Angola, associada à transmissão de saberes, rodas, oficinas e encontros culturais.

05 Sabores do território

Culinária do mar e do mangue

Peixes, mariscos, siri, caranguejo, camarão, polvo, moquecas, pirões, caldos e ensopados aparecem em receitas familiares preparadas com medidas aprendidas pela experiência.

06 Educação e memória

Histórias que precisam ser registradas

Fotografias, entrevistas e relatos de moradores ajudam a documentar acontecimentos que nem sempre aparecem em fontes oficiais.

Visitar sem apagar quem vive aqui

Turismo e comunidade precisam caminhar juntos

Cacha-Pregos recebe visitantes, veranistas e passeios, mas continua sendo território de moradia, trabalho e cultura.

Valorizar a comunidade significa manter acessos públicos, preservar manguezais, respeitar pescadoras, pescadores e marisqueiras, reduzir resíduos e priorizar serviços e produtos locais.

Não deixe resíduos Leve de volta tudo o que você levar para praias, bancos de areia e mangues.
Respeite as áreas de trabalho Portos, margens e pontos de desembarque não são apenas cenários turísticos.
Confirme informações locais Horários de transporte, passeios e condições de maré podem mudar.
Fortaleça a economia comunitária Consuma em estabelecimentos locais e valorize quem vive da pesca, da navegação, dos estaleiros, da mariscagem e do artesanato.
Mural de Cacha-Pregos

Cacha-Pregos em imagens

Um espaço para reunir imagens que mostram a beleza, o cotidiano e os diferentes cenários de Cacha-Pregos.

Cais de Cacha-PregosFoto: Edgar Santos
Barcos e manguezal
Um pôr do sol que vale a parada Foto: Rosangela Marques
Barcos e estaleiro
Rio, barcos e mangue
Fim de tarde junto ao rio
Caminhos da comunidade

As imagens deste mural foram reunidas para registrar diferentes olhares sobre Cacha-Pregos. Quando o crédito do autor foi informado, ele aparece junto à fotografia.

Conecta Vera Cruz · Memória coletiva

Vozes de Cacha-Pregos

Você conhece alguma história, tradição, receita, lenda ou curiosidade sobre Cacha-Pregos? Compartilhe sua lembrança.

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Memórias da comunidade

Histórias compartilhadas

0 publicações
Pesquisa e leitura crítica

Fontes da página

Pesquisa reunida para o Conecta Vera Cruz

Texto sobre a história, a origem do nome, a pesca, os manguezais, as festas, a capoeira, a culinária e a memória de Cacha-Pregos.

IBGE · Biblioteca

Referências sobre a organização territorial de Vera Cruz e a presença histórica dos distritos do município.

Memorial do Pescador

Informações reunidas em reportagem de 2025 sobre a inauguração e a preservação da cultura pesqueira da comunidade.

Revista Vera Cruz · 37 anos · página 23

Artigo “Uma aventura em Cacha Pregos”, de Gil Ruy Lemos Couto. A matéria é utilizada como registro memorialístico sobre uma viagem realizada no fim dos anos 1960 e sobre o cotidiano da comunidade naquele período.

Mural de imagens de Cacha-Pregos

Registros visuais enviados ao projeto. A fotografia do cais identifica Edgar Santos no próprio registro, e o pôr do sol foi creditado a Rosangela Marques.

Fotografias e memória comunitária

Imagens de Cacha-Pregos, da orla, das águas, das regatas, dos estaleiros e dos ofícios ligados às embarcações fornecidas para o projeto educativo.